Perdida

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Autor: Carina Rissi
ISBN: 978-85-7686-244-4
Gênero: Ficção Brasileira
Páginas: 364
Editora: Verus
Nota: 5/5
Estante: Skoob
Onde comprar: Saraiva / Cultura / Submarino / Amazon

Sinopse: Sofia vive em uma metrópole e está acostumada com a modernidade e as facilidades que ela traz. Ela é independente e tem pavor à mera menção da palavra casamento. Os únicos romances em sua vida são aqueles que os livros proporcionam.

Após comprar um celular novo, algo misterioso acontece e Sofia descobre que está perdida no século dezenove, sem ter ideia de como voltar para casa – ou se isso é possível. Enquanto tenta desesperadamente encontrar um meio de retornar ao tempo presente, ela é acolhida pela família Clarke.
Com a ajuda do prestativo – e lindo – Ian Clarke, Sofia embarca numa busca frenética e acaba encontrando pistas que talvez possam ajuda-la a resolver esse mistério e voltar para a sua tão amada vida moderna. O que ela não sabia era que seu coração tinha outros planos...
Perdida é uma história apaixonante com um ritmo intenso, que vai fazer você devorar até a última pagina.


Comentários:

Bonjour Anges!

Hoje é dia de livro nacional aqui na nossa “Pilha do Anjo”. E mais um delicioso Chick-Lit. Esse livro é mais um da lista dos meus maiores desejos, e podem imaginar o quanto surtei ganhando-o em um amigo secreto de pascoa. Até parece a resenha da semana passada, mas é que por incrível que pareça, ganhei os dois livros da Carina Rissi em amigos secretos – sou sortuda, não?


“Perdida” é o livro de estreia dessa autora. E muitos que leram simplesmente são apaixonados pela história. Desde que li a sinopse me interessei, porque mesmo não sendo, tem um ar de steampunk. Adoro histórias que envolvam viagem no tempo e histórias que acontecem em outras épocas sem nenhum apelo futurístico, por isso minhas expectativas eram gigantescas ao começar a leitura.

Sofia Alonzo é uma jovem de 24 anos. Uma workaholic viciada em tecnologia. De comida congelada a computadores, essa jovem curte cada facilidade e praticidade da vida moderna. Ao perder os pais, Sofia ficou sozinha no mundo, tendo apenas sua melhor amiga, Nina, com quem podia contar para todas as horas. E depois de pegar um namorado a traindo, Sofia não tinha interesse em algo que durasse mais que uma noite, e tinha verdadeiro pavor à palavra casamento.

E esse pavor ao compromisso a levou a tomar o maior porre quando sua melhor amiga lhe contou que pretendia pedir ao seu namorado, Rafa, que morasse com ela. E essa noite de bebedeira resultou em um celular caindo na privada de um banheiro de bar.

No dia seguinte, ao tentar comprar um celular novo, Sofia se depara com uma vendedora meio estranha, que acaba por fazê-la levar um aparelho que com toda certeza dará a Sofia o que ela mais deseja. Empolgada com toda a tecnologia que aquele aparelho pode ter, Sofia o leva, mas ao aciona-lo não acontece bem o que ela esperava.

Depois de uma luz muito intensa, Sofia se vê num lugar estranho, com estradas de terra, muito verde, casas antigas, carruagens e homens andando a cavalo. Sim, Sofia foi transportada no tempo, indo parar em 1830, se isso não fosse estranho o bastante, ela ainda estava vestida com uma regata, saia curta e All Star vermelhos. E mais, a jovem foi parar justamente no caminho de um rapaz que retornava de viagem e a encontrou, ferida e quase “nua” no meio da estrada.

Ian Clarke, um jovem de 21 anos, dono de belíssimos olhos negros. É extremamente educado, gentil, prestativo. E logo de cara se dispõe a ajudar a moça ferida, levando-a até sua casa e abrigando-a até que ela possa voltar para a casa dela. Mal sabe ele que a casa dela está a 200 anos de distancia.

Enquanto tenta descobrir uma forma de voltar para o seu tempo presente, Sofia acaba por conhecer os costumes da época, como a casinha, o alface usado como papel higiênico, o vestuário mais conservador, e essas diferenças a deixam meio desesperadas para retornar logo para os tempos modernos e suas facilidades. Principalmente porque, mesmo que ela tente evitar, sempre acabe por escandalizar alguém com sua forma de pensar, falar ou agir.

Mas aos poucos, ela começa a voltar os olhos para a beleza da época e das pessoas que a cercam. Principalmente a beleza de certos olhos negros. E aí começa todos os dilemas da trama: por que ela foi transportada para o passado? O que ela precisa encontrar para retornar ao presente? Vale mesmo a pena retornar ao presente e deixar tudo o que conheceu e aprendeu a gostar pra traz?

Uma narrativa simples, mas extremamente envolvente, com personagens de personalidades fortes e encantadoras, esse livro é de leitura extremamente rápida, pois é daqueles em que é impossível largar até chegar a ultima palavra.

Sofia é uma personagem realmente encantadora. Independente, desajeitada, sempre se coloca em situações constrangedoras com as gírias e os comportamentos modernos numa época em que o decoro era muitíssimo importante. Ela chega a ser tão real que é como se ver uma pessoa pobre passando mico numa festa de ricaços. E é claro, ela arranca boas risadas com seus pensamentos loucos.

Ian é o maior exemplo de gentleman. Educado, de fala mansa, sempre preocupado em agradar, mas sem que isso lhe tire o senso de autoridade. É o chefe da família há anos desde que os pais faleceram e o deixaram para cuidar da irmã mais nova, por isso é ainda mais responsável, fazendo de tudo para que a irmã esteja sempre feliz. É nítido o interesse dele pela Sofia, o modo como se diverte com as peculiaridades dela.

Elisa é a irmã de Ian, prestes a completar 16 anos. Uma jovem extremamente doce e meiga. Louca pelo irmão e que rapidamente se afeiçoa a Sofia. Toca harpa e piano, borda, fala italiano, enfim, uma moça de boa educação e finnesse. Também se diverte com as loucuras de Sofia e torce para que ela dê uma chance para seu irmão.

Teodora Moura é a melhor amiga de Elisa e vizinha dos Clarke, o que faz com que praticamente o tempo todo ela esteja na casa dos Clarke. É meio antipática, cínica e fechada. E de cara não faz muito para facilitar a vida de Sofia.

Gomes e Madalena são os criados da casa dos Clarke, mas de idade, acabam tendo papeis paternais na história, zelando pelo bem-estar dos jovens, e torcendo, junto com o leitor, pela felicidade dos mesmos.

Storm é um dos personagens mais carismáticos e geniosos da trama. Ele é um cavalo negro, de espirito livre, totalmente indomável. Não deixa ninguém monta-lo e é totalmente arredio. Mas, logo de cara ele gosta de Sofia, o que acaba surpreendendo Ian, que por meses tentou se aproximar e não conseguiu.

Com esse time de bons personagens, já dá pra imaginar a delicia que é imaginar os casarões da época, o estilo de vida, os costumes, a forma de falar, os bailes. A pesquisa da autora com os artigos utilizados na época é surpreendente. E desperta uma curiosidade gigantesca de ver imagens sobre como era viver naquela época.  Esse livro é um verdadeiro conto de fadas misturado com Chick-Lit.

Com citações de Jane Austen e uma história de amor tocante e intensa, Carina Rissi conseguiu atrair leitores, devolvendo um romantismo já meio perdido em nossa época. E por isso não é surpresa nenhuma que “Perdida” irá virar filme. O longa já está com o roteiro prontinho – uma adaptação da própria Carina Rissi e do cineasta Luca Amberg, e, em breve, o elenco deve ser divulgado. Tem previsão de lançamento para 2015. Mas, até que o filme saia, poderemos nos deliciar mais um pouco com o lindo amor de Ian e Sofia, pois na Bienal de São Paulo que acontecerá agora em agosto, será lançado “Encontrada”, a tão esperada continuação dessa linda história de amor.

Para os amantes de um bom romance, para que curte a diversão de um bom Chick-Lit, “Perdida” é um livro perfeito, que com certeza irá conquistar seu coração e arrancar boas risadas e muitos suspiros.


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