Um Século de Sabedoria

08:30 Milena Cherubim 2 Commentários

Título Original: A Century of Wisdom – Lessons from the Life of Alice Herz-Sommer, the World’s Oldest Living  Holocaust Survivor
Autor: Caroline Stoessinger
Tradutor: Martha Argel e Humberto Moura Neto
ISBN: 978-85-98903-59-0
Gênero: Biografia
Páginas: 216
Editora: Seoman
Nota: 5/5
Estante: Skoob

Onde comprar: Saraiva / Cultura / Submarino



Sinopse:Aos 109 anos, a pianista Alice Herz-Sommer é testemunha viva de todo o século passado e da primeira década deste século. Ela viu de tudo: sobreviveu ao campo de concentração de Theresienstadt, esteve presente ao julgamento de Adolf Eichmann em Jerusalém e, ao longo de sua vida, teve contato com algumas das figuras históricas mais fascinantes de nossa época. Um Século de Sabedoria é a história notável e inspiradora de uma mulher que, por toda a vida, e diante de algumas das maiores crueldades já praticadas pela humanidade, nunca perdeu a esperança de encontrar a bondade. É um tributo aos laços da amizade, ao poder da música e à importância de levar uma vida de simplicidade material, curiosidade intelectual e incansável otimismo.


Comentários:
Hi Angels!
Um Século de Sabedoria parou na minha mão de forma inusitada. Fui buscar um livro para a Eri na Editora Pensamento e conversando com a Gi, do marketing,  eu falei que me interessava muito pelo tema de nazismo, visto que era lançamento do livro “O Carrasco de Hitler”, eu sou uma pessoa muito eclética e gosto muito de biografias. Falei isso para a Gi e ela me trouxe a história de Alice. Confesso que demorei para ler, o motivo? Bem...


Alice é uma pessoa maravilhosa. Ainda viva e com 110 anos está bem lúcida, ainda toca seu piano vertical com apenas quatro dedos por causa da artrite/artrose me encantou. A narrativa de Caroline é deliciosa. Presente e passado coexistindo junto de uma maneira leve e emocionante. Não procurei nada na internet antes de terminar a leitura, não gosto. Prefiro terminar de ler e fortificar uma opinião antes de ver o que já falaram ou mesmo sobre o que revela o livro, mas não consegui mesmo por que um dos tradutores é ninguém menos que Martha Argel uma querida autora nacional que me delicia com seus vampiros heheh Conversamos um tempinho no Fantasticon sobre o livro, ela assim como eu, nos apaixonamos por Alice. Martha me perguntou se vi os vídeos de Alice tocando, não. Neste caso esperei até agora na hora da resenha para me deliciar com Frau Sommer tocando.




O livro nos conta literalmente a vida de Alice Herz-Sommer uma pianista extraordinária e uma sobrevivente do massacre judeu. Nascida na antiga Tchecoslováquia casou-se com Leopold que era administrador e tocava violoncelo, teve um único filho Rafi que se tornou músico também.
A música salvou Alice e Rafi. Infelizmente Leopold morreu em Auschwitz. Eles estavam em um outro campo de concentração onde somente músicos, professores e filósofos eram mandados, Theresienstadt. Alice por tocar majestosamente foi poupada por um dos soldados, ele apareceu em uma noite após Alice estar treinando e só disse “sei que tem um filho, os dois estarão a salvo. Muito obrigado por essa música.” Nem preciso dizer que me emocionei várias vezes nesse livro.
Olha a minha surpresa quando vi que Alice conheceu Franz Kafka e o chamava carinhosamente de “Tio Franz”. É muito gostoso as partes da infância dela, mostrando como é aprender a tocar piano, a escolha do repertório. Os clássicos, os concertos de câmara, os encontros para conversar sobre literatura, artes e cultura... até mesmo política. As descrições dessa senhorinha é como se estivéssemos lá.
Postei uma foto no Instagram do capítulo que estava lendo e automaticamente posto no Facebook. O Thiago Wendling me questionou sobre o tema. Sou uma pessoa estranha, eu fico chocada ainda após anos e anos do acontecimento. Só que não consigo não ler nada a respeito. Hitler me fascina pela sua inteligência de estrategista e administrador. O erro dele foi matar milhares de pessoas inocentes para que ele tivesse a “raça ariana”, odeio isso na história. Ele poderia ter sido um ótimo governante sem o ódio. Nem tudo é perfeito.
Neste livro além de conhecer a história de Alice você aprende. Sim, aprende sobre filósofos, músicos, professores, políticos e a maior lição que tirei foi sobre o AMOR. Isso mesmo, você não leu errado não. Alice prega o amor. Ela sobreviveu ao Holocausto por causa do amor a música, ao amor ao seu filho, ao seus pais e ao seu marido. O amor pelo filho a fez criar Rafi no campo de concentração, o amor do soldado pela música tocada por ela fez eles sobreviverem, o amor é a causa dela sobreviver até hoje.
Alice se meteu no relacionamento do filho com a nora. Ela via os dois infelizes. Ela não suportava ver seu filho brigando com a esposa e falou “vocês não estão felizes, porque não se separam?”. Oi? Como assim? Uma senhora já com mais de 50 anos falando isso???? Mas para você entender Alice, tem que ler sobre ela. Tudo o que importa é o amor no final das contas.
Separei alguns trechos para vocês verem como é lindo, delicado, horrível, alegre, delicioso, triste e alegre. Sim, ele é tudo isso e mais um pouco.

É sábio aquele que não se lamenta pelas coisas que não tem, mas que se rejubila pelas que tem. (pág. 19) – Referindo-se a Epiteto, filosofo grego.

Kafka nunca soube onde era seu lugar, nunca teve certeza de sua identidade ou do caminho a tomar. Escolher significaria desapontar um dos seus pais. Este, acredito, era o âmago de seu problema. (pág. 30)

Muitos acreditavam que os alemães, civilizados, com consciência de classe e um enorme respeito pela educação universitária, jamais permitiram que esse impostor – um desistente do ensino médio que havia morado em pensões, sem falar que nunca frequentara a universidade – liderasse um país que reconhecia, como estadista ideia, o aristocrático e muito culto Otto Von Bismarck, unificador dos 39 estados alemães. (pág. 34)

Como esse pesadelo pode estar acontecendo conosco? (pág. 41)

De braços dados, contemplaram sua cidade iluminada. De repente, Alice informou que queria que ele soubesse que ambos se casariam ainda aquele ano. Obviamente isso também se passava pela cabeça de Leopold; ele não ficou espantado com aquele rompante, e só perguntou quando. (pág. 81)

O respeito leva ao amor. No casamento, o respeito é ainda mais importante que o amor romântico. (pág. 84)

Fora isso temos receita de sopa e bolo. Alice é uma mulher extraordinária. Recomendo essa leitura para aprender mais sobre o Holocausto. Sobre os sobreviventes. Sobre a música e a filosofia. E sobre o amor. Nossos problemas são tão pequenos em contrapartida com o que eles passaram em Theresienstadt. 



2 comentários:

  1. Milena, que linda sua resenha.
    Você sabe que eu também me apaixonei por esse livro. E tive a mesma reação que você: o que são nossos problemas perto do que ela enfrentou?

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  2. Martha esse livro me cativou muito! Adorei mesmo <3

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